Na espagiria, a jornada do alquimista se inicia muito antes que o fogo da destilação seja aceso. Ela começa no silêncio da terra, no instante em que a planta é colhida sob a vigília dos astros.

Cada erva carrega em sua estrutura visível uma assinatura invisível, um selo celeste que testemunha a influência de seu astro regente.

  • Desconsiderar esse tempo é recolher apenas matéria. Honrá-lo é colher também a alma que nela habita.

A colheita, portanto, é mais que um gesto agrícola. É a primeira operação da Arte, um rito em que o alquimista aprende a unir o ritmo do cosmos ao ciclo da natureza.

Cada movimento da foice, cada raiz retirada do solo, é um ato de consciência. Quando realizado no dia e na hora propícia, este ato torna-se uma porta de entrada à potência oculta do vegetal, liberando forças que jamais poderiam ser acessadas em desacordo com o céu.

Assim, o estudo da regência astrológica das plantas não é uma simples crendice, mas uma necessidade prática e espiritual.

Conhecer o tempo certo é saber colher não apenas substâncias, mas princípios vivos que ressoam nos três mundos: corpo, alma e espírito.

O alquimista que aprende a respeitar esse mistério percebe que a colheita é também um espelho de sua própria obra interior. Pois, assim como a planta tem sua hora sagrada, também a alma humana possui momentos de florescimento.

Reconhecer e agir nesse tempo é o início de toda verdadeira transformação. Continue lendo.

🌞 Colheita como Rito Astrológico

“O que está embaixo é como o que está em cima, e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma só coisa.”

– Hermes Trismegistus

A colheita é o primeiro ato de iniciação que o alquimista realiza junto à natureza.

Ao estender a mão para retirar uma erva do solo, não executa apenas um gesto agrícola. Ele participa de uma liturgia cósmica, em que a terra e o céu se encontram em perfeita sinfonia.

O instante escolhido para colher uma planta é, portanto, um sacramento silencioso.

Cada planeta derrama sua influência em momentos determinados, e cada erva, em sua regência própria, recebe essa seiva invisível.

Reconhecer esse ritmo é reconhecer que a natureza não é cega, mas profundamente ordenada.

Quando o alquimista respeita a regência astrológica, colhe não apenas folhas e raízes. Colhe princípios vivos que ressoam no corpo, na alma e no espírito do vegetal. Esta percepção diferencia a prática espagírica da simples fitoterapia.

A planta deixa de ser apenas matéria útil e se revela como veículo de uma força que participa da harmonia universal.

A prática da colheita no tempo certo também ensina ao operador um valor iniciático. Ele aprende a esperar, a observar os ciclos, a agir no momento exato.

  • Essa disciplina cultiva em sua própria alma a virtude da paciência, da atenção e do discernimento.

Por isso, cada colheita correta é mais que uma preparação para o laboratório.

É um exercício de alinhamento interior. É o alquimista sendo trabalhado pela própria natureza, tanto quanto ele trabalha a planta.

📜 Série de Artigos Sobre Regência das Ervas

“As estrelas inclinam, mas não obrigam. Elas abrem caminhos de harmonia para aqueles que sabem ler seus sinais.”

– Marsilio Ficino

O estudo da astrologia aplicada às plantas é um dos pilares da espagiria.

Cada erva, ao nascer sob determinada influência celeste, carrega em sua constituição um reflexo vivo desse astro. Conhecer essa regência é conhecer a linguagem secreta que une o céu à terra.

No blog Alquimia Operativa, essa sabedoria foi reunida em uma série dedicada às principais ervas medicinais e suas regências astrológicas.

Trata-se de um verdadeiro mapa de correspondências, capaz de guiar tanto o iniciante quanto o praticante avançado. Consultar essa lista antes da colheita é alinhar a própria prática com o ritmo universal.

O planeta regente indica não apenas o melhor momento para a colheita, mas também o tipo de influência que a erva exercerá no corpo e na alma humana.

Assim, a consulta a esses artigos se torna parte do próprio rito espagírico. É um exercício de sintonia com a ordem celeste.

Acesse a lista de regências astrológicas:

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Horas Planetárias e Regência dos Dias

Na Tradição Hermética, cada dia da semana é regido por um planeta. Esse planeta governa a primeira hora após o nascer do Sol e determina a natureza espiritual do dia. A partir daí, as horas seguem a sequência fixa. Como exemplo, o domingo: Sol → Vênus → Mercúrio → Lua → Saturno → Júpiter → Marte, repetindo-se em ciclo.

Assim, a primeira hora do dia revela o regente do próprio dia:

  • Domingo – Sol

  • Segunda-feira – Lua

  • Terça-feira – Marte

  • Quarta-feira – Mercúrio

  • Quinta-feira – Júpiter

  • Sexta-feira – Vênus

  • Sábado – Saturno

A tabela abaixo mostra um exemplo prático das 12 horas do dia de domingo, considerando o nascer do Sol às 6h e o pôr às 18h.

🌿 Horas Planetárias Diurnas do Domingo (exemplo didático)

Hora 1 (06:00 – 07:00) – Sol
Hora 2 (07:00 – 08:00) – Vênus
Hora 3 (08:00 – 09:00) – Mercúrio
Hora 4 (09:00 – 10:00) – Lua
Hora 5 (10:00 – 11:00) – Saturno
Hora 6 (11:00 – 12:00) – Júpiter
Hora 7 (12:00 – 13:00) – Marte
Hora 8 (13:00 – 14:00) – Sol
Hora 9 (14:00 – 15:00) – Vênus
Hora 10 (15:00 – 16:00) – Mercúrio
Hora 11 (16:00 – 17:00) – Lua
Hora 12 (17:00 – 18:00) – Saturno

Cada dia da semana segue esse mesmo ciclo, mudando o planeta que abre a primeira hora do nascer do sol e respeitando a sequência acima. É isso que cria a “assinatura astral” de cada dia, fundamento essencial para a prática espagírica e astrológica.

Ou seja, a primeira hora do dia é sempre governada pelo planeta que governa também o dia inteiro.

🌿 Horas Planetárias Diurnas da Segunda-feira (exemplo didático)

Hora 1 (06:00 – 07:00) – Lua
Hora 2 (07:00 – 08:00) – Saturno
Hora 3 (08:00 – 09:00) – Júpiter
Hora 4 (09:00 – 10:00) – Marte
Hora 5 (10:00 – 11:00) – Sol
Hora 6 (11:00 – 12:00) – Vênus
Hora 7 (12:00 – 13:00) – Mercúrio
Hora 8 (13:00 – 14:00) – Lua
Hora 9 (14:00 – 15:00) – Saturno
Hora 10 (15:00 – 16:00) – Júpiter
Hora 11 (16:00 – 17:00) – Marte
Hora 12 (17:00 – 18:00) – Sol

Para descobrir as regências noturnas, basta continuar a sequência de planetas.

🌙 O Tempo da Colheita Certa

“Há um tempo para todas as coisas, e para cada obra um momento sob o céu.”

– Eclesiastes

A colheita é o primeiro portal que se abre diante do alquimista.

Ao colher uma planta em seu tempo sagrado, ele descobre que não lida apenas com um organismo vegetal, mas com um ser impregnado de forças cósmicas.

  • Esse ato simples torna-se um rito de alinhamento, em que o céu e a terra se tocam silenciosamente.

No contexto espagírico, colher é mais que um preparo para o laboratório. É uma lição viva de astrologia hermética. A planta, tomada em sua hora propícia, revela sua tríplice essência. Corpo, alma e espírito tornam-se acessíveis à obra do operador.

Respeitar a regência astrológica é reconhecer que a natureza é regida por ordem e harmonia.

O alquimista que se submete a essa ordem se transforma também. Aprende a discernir o momento exato de agir, tanto nas operações externas quanto nos movimentos internos de sua própria alma.

E para aqueles que sentem o chamado de aprofundar essa senda, existe uma oficina viva onde o saber não é apenas transmitido, mas operado.

A Oficina de Alquimia Espagírica é um espaço onde teoria e prática se unem em rito iniciático. Ali, cada estudante aprende a colher a planta e a si mesmo, no tempo certo de sua própria Obra.

Sutilizar para se Elevar.

Parabéns pela leitura!

Confira os destaques abaixo.

Fraterno abraço!

- Daniél Fidélis :: | Escola de Alquimia e Esoterismo

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