Esta é a Alquimia Operativa News, a newsletter que inspira você a cultivar uma vida consagrada ao progresso espiritual por meio de um hermetismo simples e prático.

Paracelso possuía uma visão muito particular sobre a medicina alquímica.

Uma de suas obras mais abrangentes sobre o tema é o Liber Paragranum — infelizmente ainda indisponível em língua portuguesa. A edição que possuo está em espanhol, adquirida na Amazon da Espanha (mesmo lá, é uma raridade difícil de encontrar).

💡 A boa notícia é que estou trabalhando em uma tradução para a língua portuguesa do Liber Paragranum. Tão logo ela esteja disponível, informarei por aqui.

A seguir, compartilho um excerto no qual o mestre Paracelso aborda a Filosofia da Medicina Alquímica. Vale observar que Paracelso se refere aos alquimistas curadores como “médicos”.

Não se trata de uma leitura a ser feita com pressa, mas sim degustada lentamente, relida com atenção e meditada com profundidade.

Filosofia segundo Paracelso

O que é a Filosofia, senão a natureza invisível das coisas?

Aquele que conhece o Sol e a Lua com os olhos fechados carrega dentro de si a essência do Sol e da Lua — tal como existem no céu e no firmamento. Essa é a verdadeira Filosofia: ela habita o interior do ser humano tanto quanto o mundo exterior, mas permanece inacessível para a maioria. É como olhar-se num espelho — vemos a imagem, mas não tocamos a essência.

Assim como nos observamos no espelho, ponto por ponto, o médico deve conhecer o ser humano em profundidade, lendo-o através do espelho dos quatro elementos. Ele deve ser capaz de representar o Microcosmo em sua totalidade, enxergando através de si mesmo como se olhasse por uma galeria branca encerrada em vidro transparente.

O médico precisa penetrar o mistério do homem como se contemplasse uma gota de orvalho onde cada partícula se revela, ou como uma fonte cristalina em que se podem contar as pedras, ver os grãos de areia, perceber as cores e as formas.

Da mesma maneira, o corpo humano deve ser para ele tão transparente quanto o cristal polido, onde a menor mancha não pode se esconder.

Sobre essa Filosofia se erguem os fundamentos da Medicina. É um movimento que vai do exterior ao interior. O que está dentro não existe sem o que está fora, pois o exterior é a matriz do interior.

O homem é, portanto, um reflexo no espelho — imagem dos quatro elementos. Quando esses elementos se dissolvem, o homem também desaparece. O reflexo do mundo exterior se fixa no espelho e permite o surgimento da imagem interior.

Assim também a Filosofia é a ciência total, o saber que dá brilho ao espelho. Mas ninguém pode compreender sua verdadeira natureza apenas olhando o próprio reflexo. O que vemos no espelho é uma imagem morta, ilusória.

Do mesmo modo, o homem, por si só, não é nada. Ele nada contém além do que recebe do mundo exterior, do qual é apenas reflexo. Suas palavras, sua voz, sua linguagem — são todas expressões limitadas e imprecisas.

O médico precisa ir além. Não deve contentar-se com a imagem superficial refletida no espelho do paciente, com palavras vagas e confusas. Ele deve conhecer, com empenho e constância, o Microcosmo humano por meio da Mãe que o gerou — a Natureza.

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Eis o cerne da verdadeira ciência médica. O médico precisa alcançar esses corpos — como já dissemos — em sua matriz de origem. É ali que ele encontra o coração, com todas as alegrias e dores que este já vivenciou; o cérebro, com suas angústias e prazeres; os rins e o fígado, com suas boas e más disposições; a natureza singular de cada membro.

É preciso compreender o que atua internamente sobre cada parte. E aqui me coloco contra os médicos da corte, que se recusam a investigar as origens, os pais e os familiares do homem, preferindo basear sua arte numa imagem morta refletida no espelho.

Reconstrói o homem por inteiro a partir do que está fora dele, e encontrarás em seu interior os corpos visíveis de todas as matérias, todos os aspectos de seus membros, de sua saúde e de suas enfermidades — assim como as essências que se enfrentam, que se destroem ou se completam.

💡 Aqui reside a sabedoria do verdadeiro médico: buscar o que o céu não dá e que não se herda, mas que se conquista pela arte do mestre diligente.

O médico nasce da Natureza, não da especulação. A Natureza é visível; a especulação, invisível. O visível gera o médico. O invisível, nada produz. A verdade é filha do que se mostra. O invisível, por si, não dá frutos.

Tudo o que é invisível no homem manifesta-se exteriormente. Portanto, não se deixem enganar pela especulação, que tenta encontrar nas fantasias da mente as causas e os caminhos da doença.

O corpo humano não contém nada que não se revele, de algum modo, no exterior.

Alimente sua conexão com a Natureza

As pessoas se afastaram bastante da Natureza — não apenas fisicamente, mas também dos seus biorritmos mais sutis.

Estamos cada vez mais imersos em um mundo virtual, que tem, sim, sua utilidade (afinal, é por meio dele que estamos transmitindo um conhecimento transcendental). No entanto, não podemos negligenciar nossa conexão essencial com a Natureza.

À medida que essa ligação se enfraquece, tendemos a nos tornar mais ansiosos, nervosos e impacientes. Tudo nos aborrece. Perdemos o senso de proporção e a clareza diante da realidade que nos envolve.

Observar o céu e os astros, procurar sentir suas influências, aprender com as plantas, os minerais e os animais, respeitá-los e retirar da Natureza — com reverência — apenas o que é necessário para suprir nossas reais necessidades: esse é o caminho mais simples para a reconexão.

Muitos já ouviram o chamado. Após despertar para a sutil presença da Mãe Natureza, surge uma necessidade incontrolável de agir com profundidade e desvelar os seus sagrados arcanos.

É exatamente isso o que a Alquimia Espagírica nos oferece: a possibilidade de operar em comunhão com a Natureza, extraindo suas virtudes e elevando seu potencial por meio dos Preparados Espagíricos.

Como nos ensina Paracelso:

Onde termina o trabalho da Natureza, ali começa o trabalho do Alquimista.

Paracelso

Um dos caminhos mais belos e profundos de reconexão é, portanto, a Alquimia Espagírica.

Ela está à disposição de todos aqueles que ouviram o chamado e desejam dar passos práticos em direção à transformação interior e ao serviço consciente à vida.

Portanto, mãos à Obra, porque ela é longa... e a vida, breve!

☉ Quem é Daniél Fidélis?

É orientador em diversas Formações em Alquimia e Esoterismo, entre outras áreas.

Dedica-se à Alquimia e ao Esoterismo desde a década de 90.

Em 29 de Maio de 2010, criou o nosso Instituto, dedicado à pesquisa e difusão do conhecimento Alquímico e Esotérico.

Trabalhou por 20 anos coordenando o tratamento físico-químico de efluentes industriais da Casa da Moeda do Brasil.

A partir de novembro de 2017, devido ao elevado número de alunos e ao tempo demandado à orientação, passou a se dedicar exclusivamente à Alquimia.

Sutilizar para se Elevar!

Fraterno abraço e até a edição #015!

- Daniél Fidélis :: | Escola de Alquimia e Esoterismo

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